Melhorando a resistência à fadiga de crianças e adolescentes com câncer

A fadiga é uma resposta normal ao esforço e exercício. O músculo fica com uma resposta diminuída diante de um estímulo repetido e gradualmente há diminuição de força. Esse fenômeno é reversível. Depois de um tempo adequado de repouso, há recuperação do músculo. A fadiga pode ser local (em um grupo muscular específico) ou geral (também chamada de fadiga cardiopulmonar, na qual há diminuição da resposta de todo o corpo).

Uma criança ou adolescente com diagnóstico de câncer pode ter sua resistência à fadiga comprometida, apresentando dificuldade em realizar atividades de baixa intensidade, tanto repetitivas como mantidas, por um período de tempo prolongado. Podemos citar como exemplos dessas atividades caminhar, subir e descer escadas e manter uma postura como ficar de pé. Esse aspecto do desempenho muscular fica alterado em decorrência da evolução da doença ou ao tratamento com quimioterapia, pois há comprometimento, entre outras coisas, do sistema que transporta oxigênio no sangue.

O paciente deve ser examinado pelo fisioterapeuta, que é o profissional competente para prescrever exercícios terapêuticos que melhoram todos os aspectos do desempenho muscular, incluindo a resistência. Isso é o que acontece no setor de fisioterapia da Casa Durval Paiva. Após exame e avaliação, os objetivos da conduta são traçados de acordo com as deficiências e limitações apresentadas, o diagnóstico, tratamento clínico e as metas desejadas pelo paciente, respeitando suas características individuais.

Para melhorar a resistência à fadiga de crianças e adolescentes com câncer, são realizados exercícios de baixa intensidade com frequência de duas a três vezes por semana. Durante o tratamento de quimioterapia é preciso verificar com frequência o hemograma, para que os exercícios estejam de acordo com as condições clínicas do paciente e não cause desconforto ou complicações. A intensidade (carga) do exercício, número de repetições, velocidade de contração muscular e o intervalo/repouso entre as sessões devem ser determinados de forma individual.

Antes de iniciar qualquer tipo de exercício é fundamental explicar e demonstrar para a criança ou adolescente como o movimento deve ser realizado. Movimentos compensatórios devem ser corrigidos e se houver sinais de esforço excessivo ou dor, os exercícios devem ser modificados. É preciso ter criatividade para realizar exercícios para melhora da resistência através de brincadeiras e jogos com crianças. A atividade deve ser divertida e desafiadora.

Outro fator importante é se comunicar de forma clara, com uma linguagem adequada, não só com o paciente, mas com seus pais ou responsáveis. Compreender os objetivos dos exercícios terapêuticos contribui para que o paciente se sinta seguro, estimulado, confiante e participe ativamente de cada etapa do processo de reabilitação.

Por Por Cinthia Moreno - Fisioterapeuta

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