Fisioterapia durante o tratamento com quimioterapia

Existem várias abordagens terapêuticas para tratar o câncer, seja em adultos ou crianças e adolescentes. As modalidades de tratamento, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou transplante de medula óssea, podem ser combinadas para promover mais eficácia.

A quimioterapia é um tipo de tratamento em que se utilizam medicamentos para combater o câncer. Pode ser administrada por via oral, intravenosa, intramuscular, tópica (sobre a pele), subcutânea (abaixo da pele) ou intratecal (no líquido da espinha dorsal). Estes medicamentos se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células tumorais e impedindo que se espalhem atingindo outros órgãos, causando metástases, mas eles também destroem algumas das células sadias do organismo.

As células mais afetadas são as do sangue, como os glóbulos brancos, que defendem nosso organismo de infecções, os glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio para todas as partes do nosso corpo, e as plaquetas, que atuam na coagulação do sangue. Alguns dos efeitos colaterais são: anemia, imunodepressão com infecções generalizadas, náuseas, vômitos, constipação ou diarreia. Os pacientes podem apresentar fadiga (cansaço aos pequenos esforços), falta de ar, palidez, febre, manchas roxas e vermelhas na pele e sangramentos.

Esses fatores podem fazer com que o paciente não se sinta disposto e fique de repouso por tempo excessivo, o que deverá comprometer o seu condicionamento físico. A inatividade pode levar a uma redução da capacidade funcional que aumenta o descondicionamento, levando à inatividade. Ou seja, o paciente entra em um ciclo vicioso onde quanto mais inativo ele fica, mais inativo ele se torna.

Os sintomas apresentados pelo paciente atendido no setor de fisioterapia da Casa Durval Paiva são respeitados. É compreendida a falta de disposição e o paciente fica de repouso no período em que está muito nauseado, mas ele é orientado, junto com seu responsável, e estimulado a praticar exercícios para manutenção da sua integridade física. Caso o paciente tenha alguma contraindicação para o exercício, ele é orientado a ficar o mais ativo e independente possível.

É comum os pais acharem que se o paciente tem fadiga, deve ficar de repouso. Mas técnicas de relaxamento e exercícios moderados de baixo impacto ajudam no tratamento. O fisioterapeuta deve ter conhecimentos sobre as limitações hematológicas causadas pela quimioterapia. Solicitar hemograma recente é fundamental para acompanhar a contagem de plaquetas e glóbulos vermelhos e assim definir e ajustar o tratamento de reabilitação. Em alguns casos o paciente realizará apenas atividades de vida diária, em outros fará exercícios contra resistência.

Diante de demandas específicas, a criança ou adolescente é encaminhado para os cuidados dos outros profissionais da equipe multidisciplinar, para que o atendimento seja integral e proporcione conforto e qualidade de vida durante o tratamento com quimioterapia.

Por Cinthia Moreno - Fisioterapeuta

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