Uso excessivo do celular e tablet afetam coordenação motora das crianças

Está cada vez mais difícil ficar longe do celular, dos tablets, já que são aparelhos que têm nos acompanhado em todos os lugares e nas mais diversas situações, que vão desde o uso para trabalhar, estudar, nos momentos de lazer ou mesmo para conversar com amigos. O uso indiscriminado destes aparelhos tem levado as crianças a fazerem uso destes, desde muito cedo, onde é possível perceber que acertam mexer em detalhes que muitos adultos não conseguem. No início pode parecer inofensivo, mas, o contato prematuro com recursos tecnológicos tem distanciado as crianças de atividades comuns da infância. Estes aparelhos se tornam atrativos, fazendo com que qualquer outra brincadeira, como: pular corda, pique esconde, jogos de tabuleiro, dentre outras, se tornem sem graça.

E o que tem sido percebido ultimamente é que o uso exagerado dos aparelhos tecnológicos tem causado prejuízos em relação à coordenação motora ampla, que inclui movimentos como engatinhar, pular e andar e estes são desenvolvidos com atividades recreativas, como correr, empurrar, rastejar, já a motricidade fina, que envolve principalmente o controle das mãos e dos dedos, possibilita desenvolver noções como força, precisão e velocidade. No cotidiano, podemos perceber sua necessidade nas atividades que requeiram movimentos mais delicados e precisos, como, abotoar e desabotoar botões, uso do zíper, segurar a escova de dentes e o ato de escrever.

Com relação ao desenvolvimento cognitivo, estão os aspectos: memória, atenção, concentração, raciocínio e planejamento. Outro fator que devemos considerar, são os relacionamentos entre pares, que permitem trabalhar alguns comportamentos, como lidar com as regras, o respeito, o perder em um jogo, por exemplo, etc. Devido à falta de estímulos, como consequência, existe um atraso significativo no desenvolvimento neuropsicomotor, isso se dá porque cada vez menos as crianças têm explorado as possibilidades de seu corpo, pelo fato de passarem mais tempo do dia sentadas com seus aparelhos, ao invés de estarem brincando na rua e colocando o seu corpo para mexer. Desta forma, o setor de terapia ocupacional da Casa Durval Paiva, tem auxiliado e orientado os pais e acompanhantes acerca da importância de inserirem outras atividades na rotina das crianças, buscando brincadeiras que desenvolvam os aspectos motor, neurológico e psíquico.

Apesar dos aparelhos tecnológicos estarem tão ao nosso alcance, diante das percepções e dos comprometimentos que influenciam diretamente no desenvolvimento das crianças, é necessário e imprescindível que elas tenham uma rotina de atividades, onde seja possível estimular, de forma lúdica, o desenvolvimento neuropsicomotor, assim, é fundamental a participação do adulto para que exista um equilíbrio quanto ao uso destes recursos e as atividades interativas, assim como, na elaboração da rotina, com envolvimento nas brincadeiras e dedicação de tempo no cuidado a criança, de forma integral, favorecendo o desenvolvimento escolar, a independência e a autonomia, a fim de possam crescer saudáveis, confiantes e seguras de si.

 

Por Lady Kelly Farias da Silva - Terapeuta Ocupacional

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