Os desafios do tratamento oncológico longe de casa

O tratamento oncológico é um longo caminho em busca da cura. Desde o diagnóstico, pacientes e familiares vivenciam diversas mudanças, familiares, sociais, psicológicas, físicas, econômicas, dentre outras.

A Casa Durval Paiva acolhe crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas, há 26 anos, e cerca de 80% são de pacientes e familiares que residem no interior do RN, mas a instituição também recebe pacientes de outros Estados da Federação. Estes, quando chegam à instituição, trazem na mala, medos, angústias e muitas dúvidas, além do medo da morte, pois o câncer ainda carrega o sinônimo de morte.

Durante todo o tratamento, pacientes e familiares são acompanhados pela equipe multidisciplinar formada por assistente social, psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta, pedagoga, farmacêutica, dentista e terapeuta ocupacional. Além do suporte de toda equipe do hospital de referência. Suporte esse que é extremamente necessário, para lidar com o contexto de hospital, com internações, exames, medicações e um novo lar, formado por pessoas estranhas, regras e cotidiano diferentes do que são acostumados a viver. Mas, com o passar do tempo, as coisas vão ficando mais simples, compreensíveis e vão se adaptando e familiarizando.

Entretanto, existem alguns diagnósticos, tais como: Retinoblastoma, Hepatoblastoma e Neuroblastoma, que exigem a continuidade de tratamento fora do Estado, muitas vezes, bem longe de casa. Sendo esta, a única opção para alguns pacientes. Trata-se do Tratamento Fora de Domicílio – TFD, garantido pela Lei Orgânica de Saúde – LOS (LEI nº 8.080/1990), onde despesas com deslocamento e hospedagem são garantidos pelo Sistema Único de Saúde – SUS, a fim de proporcionar atendimento integral para o paciente.

Para muitas famílias, a necessidade de continuar o tratamento em outro lugar, representa mais um desafio, durante o tratamento oncológico. Isso representa outra mudança, mesmo que temporária, para um lugar novo, sem nenhuma pessoa familiar ou conhecida, muitas vezes, longe de casa e da rede de apoio, em um tempo que não é estimável à princípio. Há casos de famílias que passam muito tempo para retornarem ao Estado de origem. 

Em contrapartida, essa pode ser a luz no fim do túnel, os pacientes e familiares saem em busca da cura, pois é isto que realmente é almejado e os desafios são enfrentados numa luta diária.

Por Keillha Israely - Assistente Social Casa Durval Paiva - CRESS/RN 3592

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