Impacto no desempenho ocupacional de pacientes oncológicos

Devido ao seu grau de agressão, o câncer é um dos processos patológicos que mais desestabiliza, que possui um sofrimento nos mais diferentes aspectos, seja relacionado à dúvida do desconhecido ou ao próprio medo da doença e em como se dará esse processo.

Acompanhar o tratamento destes pacientes nos faz perceber que cada um irá administrar essa fase de uma forma diferente, porém, todos passarão por alterações na dinâmica de vida, com sua rotina diária comprometida, suas ocupações, sua estrutura familiar com interferência nas relações interpessoais e o lazer também ficará em segundo plano.

Nesse contexto, surge um profissional com a visão de auxiliar as pessoas a realizarem as atividades diárias de forma significativa e com real sentido à vida, independentemente de suas habilidades ou comprometimentos, pois, entende que o envolvimento em ocupações transforma o cotidiano e favorece à saúde e o bem estar de forma geral. Estes desempenhos e ocupações estão divididos em algumas áreas, como: atividades básicas de vida diária (ABVD’s), que incluem alimentação, higiene e vestuário, atividades instrumentais de vida diária (AIVD’s), que permitem a integração da pessoa na comunidade, gerir sua casa e sua vida, como ir às compras, limpar, cozinhar, utilizar transporte, gerir dinheiro, dentre outros, assim como, o descanso e dormir, a educação, o trabalho, o brincar, o lazer e a participação social, assistindo ao paciente em todas as fases da doença, desde as ações de prevenção e promoção da saúde, humanização, ações curativistas, até os cuidados paliativos.

 O programa de tratamento é estabelecido de forma individual e de acordo com a necessidade de cada paciente, considerando suas condições clínicas, posicionamento do paciente frente ao sentido da vida, variáveis psicológicas, situação familiar e com referências na educação, religião, nos aspectos sociais, dentre outros, ou seja, tem foco nos agravos físicos, sensoriais e emocionais dos pacientes, promovendo ações que viabilizem o desenvolvimento da recuperação da função, da independência, autonomia, autoestima e inclusão social.

Nessa perspectiva, de forma globalizada, os pacientes da Casa Durval Paiva têm sido assistidos, com relevância no impacto do desempenho ocupacional diante do tratamento, nas atividades básicas e práticas de vida diária e com o objetivo de proporcionar qualidade de vida, mesmo diante de uma doença que impõe limitações funcionais, que afetam diretamente a rotina. Apesar de tantas transformações, é possível minimizar os impactos que envolvem o processo de tratamento oncológico, inserindo esse paciente em ocupações significativas que resultarão em motivação e autoestima, que terão interferência na melhora da saúde, estimulando-o a alcançar maior grau de independência e, consequentemente, ter uma vida mais ativa e com desempenho ocupacional funcional.

Por Lady Kelly Farias da Silva - Terapeuta Ocupacional

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